Um Homem Comum
Não haveria nenhuma possibilidade iniciar tudo isso aqui sem me apresentar. Me chamo Antônio, Antônio Carlos para os íntimos. Dia desses me perguntaram sobre como me definia, eu não fazia ideia do sentido daquela pergunta, mas confesso que em algum momento ela deveria ser respondida. Por mais que, instintivamente, você tenha pensado que seria essa a hora, sinto muito em decepcionar. Eu não sei falar nada de mim. Acho que o caos que me formou e me compõe ficaria bravo se eu tentasse qualquer que fosse o movimento nesse sentido. Um ser humano, um trabalhador, um viajante ou qualquer desses rótulos que eu sei que você adora e que, confesso, torna-se bem mais fácil de ler. Eu diria um homem comum, sem grandes conquistas, realizações e de posse apenas de suas incertezas.
São 19h08 e já estou aqui escrevendo. Por vezes começo cedo, algumas vezes tarde, tão tarde que passa até a vontade quando começo. Aliás, começar sem vontade talvez seja um dos grandes motivos de estar escrevendo tudo isso aqui. Afinal, imagino que qualquer pessoa que inicie uma leitura como essa imagine um lindo cenário de início, a apresentação dos personagens e suas idiossincrasias, seu tempo e seu momento. E eis que você me encontra, Antônio, um comum. Decepcionante espero que não seja, mas se for, esperado.
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